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Martha Barros Carioca, com raízes em Campo Grande (MS), Martha Barros é formada em Biblioteconomia mas foi na pintura que a artista encontrou sua verdadeira fonte de inspiração. Cursou o atelier de Hélio Rodrigues e freqüentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde estudou com mestres do naipe de João Magalhães, Gianguido Bonfanti, Charles Watson, John Nicholson e Anna Bella Geiger. Participou de inúmeras individuais e coletivas no Rio e em Mato Grosso do Sul e assinou capas de livros como “Seu sexto sentido”, de Belleruth Napastedk, “A flauta vertebral”, de Luiz Roberto Nascimento Silva, e “O poder do fluxo”, de Charlene Berlitz e Meg Lundstorm (todos pela Editora Rocco), e ainda “Filandras”, de Adélia Prado (Editora Record) e “O descobrimento do mundo”, CD com texto de Clarice Lispector, na voz de Aracy Balabanian (Editora Luz da Cidade). Filha do poeta matogrossense Manoel de Barros, um dos maiores em atividade, Martha herdou do pai o lirismo e o gosto pelas coisas pequenas, pelo intocado, que a leva a recriar a inocência. Tal como os artistas e vanguardistas que buscaram a liberdade do imaginário e do inconsciente, como Kandinsky, Klee, Miró e Chagall. A partir do “Livro das Ignorãças” e da capa de ”O livro de pré-coisas”, lançado em 1997, pela Record, Martha vem colocando suas ilustrações preciosas na obra do pai. Foi assim em “Ensaios fotográficos” (2000), “Tratado geral das grandezas do ínfimo” (2001), “Cantigas por um passarinho à toa” (2003) e, por último, “Memórias inventadas – A infância” (2003, Editora Planeta). Suas “iluminuras” transmitem a mesma atmosfera lúdica da poesia de Manoel de Barros, um trabalho muito próximo ao que ele faz com palavras, sem, no entanto, permitir que a ilustração se transforme em legenda para o texto. A artista utiliza texturas e materiais diversos, que vão desde o papel e passam por tecidos, rendas e trapos aplicados à técnica de tinta acrílica sobre tela. O resultado é um trabalho espontâneo de cores e grafismos, direto e singelo. Sobre a pintura da filha, o grande poeta escreveu: “Ela faz metáfora de pássaros, de peixes, de conchas, de sapos. E muitas descoisas. Imagens trazidas por rastros de suas memórias afetivas. Martha não copia a natureza, ela desfigura os seres e as coisas”. Ao ler um trecho do poeta Michel Senphor, citado por Clarice Lispector em “Água Viva”, Manoel de Barros lembrou-se da filha: “Tinha que existir uma pintura totalmente livre da dependência da figura-objeto que, como a música, não ilustra coisa alguma, não conta uma história e não lança um mito. Tal pintura contenta-se em evocar os reinos incomunicáveis do espírito, onde o sonho se torna pensamento, onde o traço se torna existência”. O talento de Martha Barros vem chamando a atenção de nomes consagrados da pintura brasileira, como Luiz Áquilla: “Seus pequenos personagens ora lembram animais, ora plantas, ou as duas coisas juntas. As cores que usa são transparentes e, muitas vezes, deixam ver desenhos preexistentes nos tecidos que ela escolhe como suporte. É uma artista envolvente com seu trabalho, perspicaz, sensível e inteligente”. O artista plástico John Nicholson também comenta sobre a pintura de Martha Barros: “O amor do detalhe e a compreensão da estrutura pulsam nos quadros desta pintora e, de tal forma, que nos leva a perceber a visibilidade do invisível”. Monica
Cotta - 2005 |